UMA ORAÇÃO DE SOPHIA
Numa altura em que os mais liberais de entre nós estão conscientes do triunfo do capitalismo mais selvagem, onde as editoras de livros ou de música lutam apenas pelo lucro, massacrando no caminho a razão inicial da sua existência, talvez este poema ajude:
"REZA DA MANHÃ DE MAIO
Senhor, dai-me a inocência dos animais
Para que eu possa beber nesta manhã
A harmonia e a força das coisas naturais.
Apagai a máscara vazia e vã
De humanidade
Apagai a vaidade
Para que eu me perca e me dissolva
Na perfeição da manhã
E para que o vento me devolva
A parte de mim que vive
À beira dum jardim que só eu tive."
Sophia de Mello Breyner Andresen
in "Dia do Mar"
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